terça-feira, 14 de setembro de 2010

DOUTRINAS E TEORIAS SOBRE A ORIGEM DA RELIGIÃO


         Prof: Marcus Vinícius


       A Doutrina da origem divina

Expressa o valor absoluto ou infinidade da própria religião. Toda religião estabelece como funcionamento próprio uma revelação originária que garanta a sua verdade.
  • os egípcios criam que o terceiro capitulo dos livros dos mortos havia sido achado originalmente debaixo de uma estátua do deus Thoth que era o deus da sabedoria e da arte, o qual é reconhecido como fonte de revelação divina na literatura hermética, no juízo dos mortos ele  era  encarregado de dar o peso do coração. 
  • No alcorão estão as revelações da Ála a Maomé.
  • Os Gathas são revelações de Ahura Mazdah a Zoroastro.
  • Os Upanishades são sruti (escritos revelados).
  • As doutrinas budistas são revelações de Buda.
  • Iavé revelou a Torah a Moisés e se serviu em certas ocasiões de profetas para comunicar a sua vontade.
  • Cristo é a revelação de Deus.

“O universo é uma atividade ininterrupta que  revela a cada momento toda forma,  todo ser, ao qual ele dá uma existência particular, todo acontecimento e fato gerado em seu seio sempre rico e fecundo, é uma ação que ele exerce sobre nós; e portanto, aceitar toda coisa particular como uma parte do todo, toda coisa finita como expressão do infinito, nisso é que consiste a religião.” (Schleiermacher)

A doutrina da origem política


Esta doutrina defende a tese de que a religião é um estratagema político, apesar de parecer produto recente do espírito humano, esta doutrina foi sustentada pela primeira vez por Crítias, um dos trinta tiranos de Atenas.

“Os antigos legisladores fingiram a divindade como um inspetor e fiscal das ações humanas, quer das boas,quer das más, afim de que ninguém praticasse a ofensa ou traição para com o seu próximo, de medo de uma vingança dos deuses”. Este estratagema tornou-se necessário pelo fato de que “as leis realmente dissuadiam os homens de praticar violências claras, mas eles as cometiam as escondidas”  de maneira que  “algum homem talentoso e experimentado inventou para os homens o temor dos deuses afim de que houvesse um espantalho para os malvados para aquilo que às escondidas eles fariam, diriam ou pensariam”.



A doutrina da origem humana

                                                              

Esta doutrina defende a idéia de que a religião seria mais contemplativa que prática, tem suas raízes na situação do homem no mundo. A religião é considerada como uma forma de satisfação da necessidade de conhecimento, de  explicação aos fenômeno observáveis.

O Epicurismo vê no homem a origem do espírito religioso. Epicuro (341-270  A .c ) nasceu na Ática, foi levado bem cedo para Samos e mais tarde para Atenas onde aos 36 anos, fundou uma escola de filosofia. Os seus discípulos em especial Metrodoro,ressaltaram como ponto básico da doutrinas, a procura do prazer, comprometeram o epicurismo como se fosse sinônimo de volúpia.
                                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                                                                   São suas idéias centrais:

  1. Sensismo.   A sensação é o critério da verdade e o critério do bem
  2. Atomismo.  A união e a separação dos átomos explica a formação e a mudança das coisas. A Sensação provém das ações dos átomos das coisas sobre os átomos da alma.
  3. Semi-ateismo.  Os deuses existem, mas não tem nenhuma parte na formação e governo do mundo. A origem da religião está na necessidade de explicar a regularidade dos movimentos celestes e nas imagens dos movimentos  celestes.
  4. Moral.  O Homem é virtuoso e feliz quando com um mínimo de sofrimento, atinge o máximo de prazer.  Prazer dinâmico: (prazer dos sentidos, efêmeros e traz condenação);   Prazer estático:  (prazer intelectivo, calmo, espiritual que conduz a ataraxia, derivado do domínio sobre as paixões ou da extirpação desta).

              
TEORIA DO MEDO (SOBRENATURAL) - Teoria mais antiga, sustenta que o medo das forças naturais levou o homem a crer em divindades, forças misteriosas, sobrenaturais, com o poder de dirigir a natureza. A gênese das crenças religiosas seria o medo do sobrenatural.
Segundo Muller, defensor recente desta teoria, são as realidades naturais que fazem a compreensão do homem, as que produzem a idéia do infinito e o material com o qual se constrói a realidade.

TEORIA AMINATISTA (MANA) – Esta palavra, é um termo usado pelos Melanésios e Polinésios, designa uma força impessoal( M. Eliade adverte que Mana não deve ser concebido como algo pessoal ou impessoal, mas simplesmente como real, pois a distinção entre pessoal e impessoal é coisa dos ocidentais) ao mesmo tempo material e espiritual, difundida por todas as partes, comum aos símbolos sagrados, aos seres e objetos.
O Missionário Inglês Codrington, que foi o primeiro a estuda-lo, para ele Mana “ é uma força, uma influência de ordem imaterial e em certo aspecto sobrenatural;  mas que se revela pela força física ou pelo poder ou superioridade que o homem  possuí. O Mana pode existir em  qualquer espécie de coisas...toda religião do Melanésio consiste em alcançar o Mana, seja para dele  beneficiar-se pessoalmente, ou para fazer outrem dele aproveitar”.
 Os povos “primitivos”, portanto, acreditavam na existência de um poder impessoal, uma espécie de fluido denominado Mana, capaz de penetrar nos objetos, vegetais animais e pessoas, conferindo-lhe capacidade e propriedade superiores. Por isso, é que muitos consideram a existência do Mana fundamental para a formação da crença religiosa.
                                                                                                                                                                          TEORIA ANIMISTA (ALMA) -  Amplamente defendida por H.Spencer e Edward Tylor, explica-se  a origem das religiões por intermédio da crença
na existência de um outro “eu”, com propriedades espirituais, que seria a alma dotada de poderes superiores ao homem. Esta crença baseia-se na existência de formas imateriais, surgidas em sonhos, ou na diferença entre um homem vivo e seu cadáver. A morte ocorre quando a alma deixa o corpo e volta a seu lugar de origem onde residem todos os espíritos dos antepassados. Estes espíritos podiam entrar no corpo dos vivos aumentando-lhe a força e vitalidade, ou provocando doenças e males. Acreditavam que além dos homens, os animais, os vegetais e as coisas inanimadas também possuíam alma. Para Taylor, o animismo “abrange os grandes dogmas que constituem juntos uma doutrina coerente”: primeiro corresponde as almas das criaturas individuais capa de espíritos, até chegar a divindade poderosas.

            TEORIA DO TOTEMISMO (TOTEM) - Os complexos totêmicos variam muito em relação à sua composição concreta.De modo geral, podem ser considerados como uma crença na descendência comum dos grupos de um antepassado animal ou vegetal, dando origem a uma amplitude de reverência para com todos os representantes desta fauna/ flora especifica. O totemismo despertou uma controvérsia em relação ao seu significado, designado por alguns autores como fenômeno social e por outros como fenômeno religioso. Durkheim observou o seu conceito de totemismo e as cerimônias a ele ligadas  são as formas elementares da religião, e com isso deu origem a uma teoria sociológica da religião


            TEORIA SOCIOLOGICA (MAGIA) –Iniciada por Smith e amplamente desenvolvida por Durkheim, esta teoria resiste ao argumento de que a religião se   iniciou a partir da crença em seres espirituais ou deuses, considerava que surgiram primeiro os ritos/cerimônias, principalmente o canto e a dança que intensificam as emoções levando-as ao êxtase. Essas emoções, difundidas em todos os participantes, fazem-nos acreditar estarem possuídos pelos poderes excepcionais. Essas experiências levaram homem “primitivo” a crer na existência de um poder sobrenatural, o mana, simbolizado pelo totem.  Outros autores também procuraram uma explicação sociológica para a origem e desenvolvimento da religião, como por exemplo, Jane Harrison, Chapple e Coon, Wallis e, até certo ponto, Weber.       

            TEORIA DO ELEMENTO ALEATÓRIO (SORTE) – Summer e Keller desenvolveram esta teoria. Consideravam que as tribos “primitivas” acreditavam ser os poderes sobrenaturais intimamente ligados ao elemento, sorte devendo o homem atuar no sentido de obter a atenção favorável desses poderes para evitar a má sorte e propiciar a boa sina. Desta maneira a religião surge como uma resposta a uma necessidade defendida, ajustamento ao meio sobrenatural. O elemento sorte foi denominado como elemento aleatório, sem o qual a religião poderia não ter surgido, ou ter se transformado em algo inteiramente diferente.

2 comentários:

  1. Prof. Marcus,

    Minha filha Sarah está fazendo um trabalho sobre religiões (sociologia) e solicitamos fazer citação ao teu trabalho na pesquisa.

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  2. Trabalho de 1. ano do ensino médio - Escola Marques de São Vicente - Santos - São Paulo

    Obrigado.

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